Mundos que a gente prefere e que a memória não apaga

Ilustração que mostra um radio antigo entre outros elementos que fazem alusão à memória.

Mundos que a gente prefere e que a memória não apaga

Recordar é viver, diz o ditado popular. E é verdade. Há algo de mágico nas memórias do passado, nos mundos que nós preferíamos e que a memória insiste em não apagar.

Na minha juventude, eu preferia um mundo diferente. Um mundo onde a emoção de um jogo entre o Brasil e a Suécia na Copa do Mundo era amplificada pelo som distante do rádio, mal discernível por entre os ruídos de estática. Mesmo sem uma visão clara, sabíamos quando o gol era do Brasil, e cada jogada parecia uma obra-prima. Hoje, as tecnologias modernas nos mostram o futebol sob uma luz mais crua, revelando não apenas a beleza, mas também as imperfeições do esporte que tanto amamos.

Recordo com carinho os festivais da canção popular, onde músicas como “Sabiá”, mesmo contestadas por alguns, se tornavam clássicos da MPB. Hoje, truques tecnológicos podem aprimorar vozes e performances, mas também revelam a crueza da indústria musical que uma vez tanto me encantou.

Antigamente, receber uma carta ou um cartão pelo correio era um evento especial. Cada envelope era aberto com ansiedade e cuidado, pois continha uma mensagem de alguém que dedicou tempo e esforço para se comunicar. Hoje, os e-mails e mensagens de texto são mais práticos, porém muitas vezes carecem do romantismo das cartas do passado. Guardávamos as cartas em baús como tesouros preciosos, enquanto os e-mails muitas vezes são deletados sem cerimônia, perdendo-se no mar de informações digitais.

Lembro-me com nostalgia do feijão que ficava de molho durante a noite, preparado com cuidado em um caldeirão de ferro para se transformar em uma deliciosa feijoada. Hoje, os feijões enlatados e as refeições rápidas no micro-ondas são símbolos de uma vida mais corrida e prática, mas nem por isso menos saborosa.

Apesar das mudanças, não rejeito o que o presente tem a oferecer. A felicidade não é uma prerrogativa exclusiva do passado. Eu era feliz e sabia, e ainda sou, porque carrego comigo as lembranças preciosas de uma época que moldou quem sou hoje. Convido você a dedicar alguns minutos do seu dia para revisitar suas próprias memórias de infância. Descarte os traumas, pois eles não têm lugar em um dia feliz. Valorize as lembranças positivas, pois são elas que nos conectam com nossa essência e nos fazem apreciar a jornada da vida.

A vida é um eterno ciclo de mudanças, e é natural que sintamos uma certa saudade do passado, onde as coisas pareciam mais simples e puras. No entanto, é importante lembrar que o presente também guarda momentos preciosos e oportunidades únicas. Ao olharmos para trás, podemos encontrar inspiração para seguir em frente com determinação e gratidão pelo que temos hoje.